O custo da recuperação extrajudicial é uma das principais razões pelas quais o instrumento é superior à judicial para a maioria das empresas em crise. Mas é importante entender os componentes reais do custo — e o que determina se ele será baixo ou moderado — para dimensionar o processo corretamente.

Componentes do custo extrajudicial

Itens de custo na recuperação extrajudicial
  • Honorários advocatícios: componente principal — inclui a fase de negociação com credores, elaboração do plano, petição inicial e acompanhamento da homologação. Costuma combinar valor fixo com honorário de êxito.
  • Custas judiciais: distribuição da petição, edital de convocação dos credores, publicações obrigatórias — custo relativamente baixo comparado à judicial.
  • Verificador nomeado pelo juízo: eventual — o juízo pode nomear um verificador para analisar a documentação. Honorários fixados pelo juízo, proporcionais ao passivo e ao trabalho realizado.
  • Auditoria das demonstrações financeiras: não obrigatória, mas recomendada quando os credores exigem confiabilidade nos números.
  • Custo interno de gestão: tempo da equipe de administração dedicado ao processo — custo de oportunidade, frequentemente subestimado.

Comparativo de custo: extrajudicial versus judicial

Item de custoExtrajudicialJudicial
Administrador judicialNão há (apenas verificador eventual)Obrigatório, remunerado pelo passivo
Publicações obrigatóriasEdital pontualMensais durante o processo
Assembleia geral de credoresNão existeObrigatória, custo elevado
Honorários advocatícios3 a 6 meses2 a 5 anos
Habilitações e impugnações de créditoNão háPotencialmente centenas
Duração totalCurta — menor custo acumuladoLonga — custo cresce com o tempo

Para uma empresa com passivo financeiro de R$ 5 a R$ 20 milhões, o custo total da extrajudicial pode variar de R$ 80 a R$ 250 mil. O mesmo processo na via judicial raramente termina abaixo de R$ 500 mil — e frequentemente ultrapassa R$ 1 milhão quando se considera o custo ao longo de 2 a 5 anos.

O que aumenta o custo da extrajudicial

O custo não é fixo — cresce com a complexidade do processo. Os principais fatores que elevam o custo são: número de credores (mais credores exigem mais rodadas de negociação e documentação), resistência de credores específicos (impugnações na fase judicial), necessidade de auditoria independente exigida pelos credores e complexidade do próprio plano (reestruturação operacional além da financeira).

O custo da recuperação extrajudicial deve ser comparado ao custo de não fazer nada — execuções em curso, penhoras, impacto reputacional e eventual falência têm custo muito maior do que o processo de reestruturação.

Perguntas frequentes

Quanto custa uma recuperação extrajudicial?
O custo varia com a complexidade do passivo. Os componentes principais são honorários advocatícios especializados, custas judiciais e eventualmente honorários do verificador nomeado pelo juízo. Comparado à judicial, o custo total pode ser 5 a 10 vezes menor.
A recuperação extrajudicial tem custo fixo ou variável?
Misto. As custas judiciais são fixas. Os honorários advocatícios costumam combinar um valor fixo pela condução do processo com um honorário de êxito vinculado ao resultado da homologação.
O custo da recuperação extrajudicial é dedutível fiscalmente?
Honorários advocatícios e custas judiciais pagos no processo de recuperação extrajudicial são despesas necessárias à atividade empresarial, geralmente dedutíveis na apuração do lucro real. A análise fiscal específica deve ser feita pelo contador da empresa.

Veja também: vantagens da via extrajudicial · prazos da recuperação extrajudicial · recuperação extrajudicial para PMEs.

Leitura complementar
Amílcar Pacheco
Administrador Judicial · TJRS · Lei nº 11.101/2005 · Arts. 161–167
Dúvidas sobre custo da recuperação extrajudicial: (51) 3191-0888  ·  contato@amilcarpacheco.com