Quando uma empresa identifica crédito de INSS patronal sobre verbas indenizatórias, quase sempre esquece de calcular o GILRAT recolhido sobre as mesmas verbas. São duas contribuições com a mesma base — e portanto dois créditos sobre o mesmo erro. Esse segundo crédito raramente é reclamado.

A mesma base, o dobro do crédito

A contribuição previdenciária patronal (20%) e o GILRAT incidem sobre o mesmo valor: o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/1991. Quando o STF exclui uma verba dessa base — como fez com o terço de férias (Tema 985) e o salário-maternidade (Tema 72) — essa exclusão reduz simultaneamente a base do INSS e a base do GILRAT.

Para uma empresa com FAP 1,5 e RAT 2%, a alíquota efetiva de GILRAT é 3%. Somada aos 20% de INSS, o crédito total sobre verbas indenizatórias é de 23% do valor dessas verbas — não apenas 20%. Esse 3% adicional é o crédito que quase ninguém solicita.

Quais verbas geram esse crédito duplo?

O crédito de GILRAT sobre essas verbas segue o mesmo prazo prescricional de 5 anos e a mesma correção pela Selic — mas precisa ser calculado e pedido separadamente do INSS.

O erro mais comum: calcular só o INSS e esquecer o GILRAT

Na prática, quando uma empresa contrata consultoria para recuperar contribuições previdenciárias, o foco costuma ser o INSS patronal de 20%. O GILRAT fica de fora porque sua alíquota parece pequena. Mas sobre 5 anos de folha, esse percentual gera crédito expressivo — especialmente nas empresas classificadas como risco médio ou grave.

Uma empresa com folha de R$ 400.000/mês e GILRAT efetivo de 3%, que pagou indevidamente sobre 15% de verbas indenizatórias, acumulou em 5 anos crédito de GILRAT próximo a R$ 108.000 — fora a correção pela Selic.

Além das verbas: enquadramento de risco como segunda fonte de crédito

Há ainda uma segunda fonte de crédito de GILRAT, independente das verbas indenizatórias: o enquadramento incorreto na tabela de risco. Quando a empresa é classificada num grau de risco maior do que o real — por CNAE errado, reestruturação do negócio ou atividade preponderante desatualizada — ela paga alíquota RAT maior do que deveria.

A correção do enquadramento gera crédito retroativo dos últimos 5 anos sobre a diferença entre a alíquota cobrada e a correta — além de reduzir permanentemente o GILRAT para os meses seguintes.

Calcule o crédito completo: INSS + GILRAT
Identificamos o crédito total — incluindo INSS patronal e GILRAT sobre verbas indenizatórias, mais eventual diferença por enquadramento incorreto — antes de qualquer proposta.
Fazer simulação inicial →
Leitura complementar
Amílcar Pacheco
Administrador Judicial · TJRS · Porto Alegre RS
Para cálculo do crédito de GILRAT: (51) 3191-0888  ·  contato@amilcarpacheco.com